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Comemoração 25 Abril 2025

  • Foto do escritor: Fundação HdC
    Fundação HdC
  • 24 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

No dia 25 de Abril de 2025, assinalámos a data maior da democracia portuguesa com um gesto simples, mas carregado de significado: pintámos uma porta.


Não foi apenas uma intervenção estética. Foi uma afirmação simbólica.


O 25 de Abril de 1974, marco histórico da Revolução dos Cravos, abriu portas a um país que durante décadas viveu fechado. Trouxe liberdade, participação e voz. Trouxe futuro.


Este ano, inspirados pelo lugar onde estamos — a Comporta — deixámo-nos guiar por uma palavra que é, simultaneamente, nome e verbo: Comporta.


Comporta como território.Comporta como estrutura que regula a água.Comporta como verbo: conter, acolher, sustentar.


Daí nasceu o mote: “Comporta a Liberdade.”


A porta como símbolo

A porta representa passagem. Representa decisão. Representa abertura.

Mas, na Comporta, o símbolo ganha outra camada: a comporta é o mecanismo que permite libertar o fluxo quando chega o momento certo. Assim foi Abril — uma força contida que, finalmente, encontrou abertura.

Ao pintarmos esta porta, evocámos essa libertação. Um gesto que remete para aquilo que somos enquanto comunidade: um espaço que acolhe, que sustenta e que acredita na construção coletiva.


Um poema para Abril

Para acompanhar este momento, partilhámos o seguinte poema:


Abril foi chave escondida

na tranca de um país fechado,

foi porta outrora esquecida

num muro gasto e calado.


Veio o povo, corrente viva,

mão na mão, como torrente,

abrir a comporta contida

no peito de tanta gente.


Não é só porta — é abrigo,

é chão que aprende a florir.

Comporta tudo o que digo

quando escolho resistir.


Comporta sonhos guardados,

vozes caladas, saudade.

É corpo que, aos bocados,

se enche de humanidade.


Abril, porta sem trinco,

feita de cravos e abraço,

onde o medo já não brinco

e a esperança tem espaço.


Este poema reforça aquilo que procurámos materializar: a liberdade não é apenas um acontecimento histórico — é um processo contínuo de abertura, cuidado e responsabilidade.


Mais do que uma pintura

A porta que pintámos permanece como símbolo físico desse compromisso.


Recorda-nos que:

  • A liberdade precisa de ser exercida.

  • A democracia exige participação.

  • A comunidade constrói-se todos os dias.


Na Comporta, território de água, terra e memória, quisemos afirmar que também somos lugar de abertura.

Porque Abril não é apenas o que aconteceu.É aquilo que continuamos a fazer.


E este ano, escolhemos Comportar a Liberdade.

 
 
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